Depois
disso – da minha cura milagrosa – retornei às minhas funções normais:
cuidava de duas meninas, auxiliava no ambulatório médico da comunidade e dava
assistência à minha mãe que mora em Divinópolis. E ainda participava de
todas as atividades diárias da comunidade.
Posteriormente, precisei ficar um pouco mais afastada da comunidade para cuidar de uma senhora muito amiga que não se encontrava em perfeito estado de saúde. Nos finais de semana eu intercalava a assistência à minha mãe com as visitas à Comunidade.
No
dia 26 de abril de 2001, estando eu e o meu irmão Vanir a caminho da cidade de
Florianópolis - Santa Catarina – para uma visita familiar, quando estávamos
próximo à divisa de Minas Gerais com São Paulo, na BR-381 (rodovia Fernão
Dias), por volta das 3:00 horas da madrugada, naquela escuridão, um caminhão
que trafegava com os faróis apagados se chocou violentamente de frente com o
nosso carro. Neste momento, chamei por Jesus Misericordioso e Nossa Senhora.
Meu
irmão, que estava no volante, começou a agonizar, e eu prossegui com minhas
orações, pedindo a Jesus misericórdia, até que ele deu o último suspiro e
morreu.
Sentindo-me
sozinha e, lembrando-me de Nossa Senhora, eu dei um grito com todas as minhas
forças: “Nossa Senhora! Vem cá! Me ajuda!”
Neste
momento eu senti que Nossa Senhora entrou com os anjos e todo o Céu, porque eu
senti uma paz, que era uma paz tão grande, que não senti a morte do meu irmão,
não fiquei desorientada, não fiquei triste e nem fiquei abalada. Fiquei tranqüila
e muito consciente de tudo o que tinha acontecido e estava acontecendo.
O
socorro veio logo. Muitos homens se dirigiam aos restos do carro e diziam:
“Morreram todos.” Eu, ajuntando um pouco de forças, murmurei, de forma que
eles compreendessem que ali ainda tinha uma vida.
Demoraram
muito para serrar as ferragens do carro e me tirar de lá. Fui levada ao
hospital mais próximo e posteriormente transferida para a Santa Casa da Misericórdia
de São Paulo.
Eu
sofri muito, porque tive várias fraturas e uma lesão séria no cérebro. Perdi
o líquido da meninge, tive uma fratura grande e exposta acima do olho - na
altura do supercílio esquerdo - meu nariz quebrou, deslocando-se para um dos
lados do rosto, muitos dentes entortaram e outros quebraram. Meu olho esquerdo
estourou, tive uma lesão no pescoço, minha cabeça virou para trás, fraturei
os dois braços, estalei o úmero, fraturei a mão direita, que virou para trás.
Além disso, ocorreu uma lesão na dorsal, uma grande lesão na omoplata e minha
perna esquerda saiu fora – igual a uma perna de boneca. Tive fratura no
joelho, no tornozelo e na rótula de ligamento da perna esquerda. Na perna
direita houve fratura do joelho em seis partes, no fêmur tive fratura exposta
– ficando um pedaço no carro – e a patela do joelho ficou exposta. Tive um
grande desvio na bacia, uma lesão na região sacra e inúmeros ferimentos por
todo o corpo.
E
com tudo isso, eu fiquei calma. Sofrendo, mas com muita tranqüilidade.
Rezei
muito! Desde o momento do acidente, eu fiquei rezando, rezando, rezando...
Na
sala de cirurgia eu só rezava. Fiquei 12 dias na UTI toda entubada. Não perdi
a consciência. Só rezava, sofria e oferecia - pelas almas do purgatório, pela
Santa Igreja, pelos missionários, pelos sacerdotes, pelas religiosas, pelas famílias,
pela conversão dos pecadores. Eu rezava com fé, com amor e com muita paz,
mesmo sendo a dor incalculável, inimaginável de ser superada sem o auxílio de
Deus e de Nossa Senhora. Eu não dormia devido às muitas dores e ao mal estar.
Passaram-se
12 horas desde o acidente até o momento da primeira cirurgia. Depois ainda
passei 13 horas no bloco cirúrgico - e esta é a prova da veracidade da cura do
meu coração: estando toda quebrada, suportei a 13 horas de cirurgia, sem falar
nas outras cirurgias que vieram uma após outra.
Tive
que colocar um aparelho na boca, mantendo-a fechada por 60 dias e sem poder
mastigar. Eu tinha muita sede. Passei sede demais! E também passei muita fome
nestes 60 dias, e muita dor.
O
médico não me deu esperança nenhuma de voltar a ter uma vida normal e de
caminhar. E muito menos esperança de vida. Antes de me operar ele disse: “Ah,
minha pobre velhinha! Quebrou-se toda!”
O
que mais impressionou o médico foi que eu estava em estado de consciência
normal durante todo o tempo, antes da cirurgia e também na UTI. Eu sabia tudo:
telefone da minha casa, nomes de parentes, e sabia onde eu estava. Ele disse:
“Toda quebrada, mas a alma toda viva.”
Aos
poucos fui me recuperando, mas sempre com muitas dores pelo corpo -
principalmente para fazer fisioterapia. Fiquei em pele e osso, diante do maior
sofrimento que um ser humano poderia passar. Mas eu gozei de muita paz interior,
muita paz!
Conversando
posteriormente com um sacerdote, eu dizia que atribuía a Deus esta paz - Paz
esta vinda dEle mesmo – e também a Nossa Senhora, por quem chamei na escuridão
e na agonia daquela noite do acidente.
Atualmente
estou quase normal, praticamente curada. Perdi uma vista, perdi um pequeno
movimento da perna – ela não dobra – e às vezes ainda sinto um pouco de
dor na perna. Ando com o auxílio de uma bengala. Mas essas são pequenas limitações.
Hoje
faz exatamente um ano e 29 dias que ocorreu o acidente. E ao estar aqui hoje, em
Piedade, dando este testemunho, agradeço infinitamente a Deus, a Nossa Senhora
e aos meus irmãos fraternos pelas muitas orações que recebi.
Depois
do acidente, é a segunda vez que venho ao Vale da Paz, para confirmar a minha fé,
devoção e amor à Virgem Maria, e agradecer pela sua intercessão e ajuda para
vencer tantas dificuldades, o que jamais seria possível ao ser humano sem o
valioso auxílio da Imaculada Conceição, Maria, a Mãe de Jesus.
Vale da Imaculada Conceição, 25 de maio de 2002