Meu nome é Valteíce Maria
Teixeira. Nasci em 14 de junho de 1943, e atualmente tenho 58 anos. Sou da Ordem
das Filhas da Caridade de São Vicente de Paula desde 1965, e sou formada em
Enfermagem e Administração de Empresas.
No ano de 1984 fui operada do
coração, devido ao atrofiamento de uma artéria, colocando uma ponte de
safena. Correu tudo bem, graças a Deus, e continuei normalmente a minha vida de
religiosa.
Em abril de 1995,
requeri da Santa Madre Igreja uma licença para afastamento da ordem por tempo
indeterminado - processo feito junto à “Sagrada Congregação dos
Religiosos” - pois desejava ardentemente acompanhar as aparições de Nossa
Senhora em Piedade dos Gerais.
Após 1 ano de espera, recebi
um ofício notificando minha licença. Isto permitia que eu pudesse dedicar
minha vida à Comunidade Fraterna do Vale da Imaculada Conceição, fazendo
parte do Grupo da Fraternidade. Assim, desde o dia 21 de junho de 1996 estou a
acompanhar a catequese espiritual trazida pela Virgem Maria, a Imaculada Conceição.
Transcorridos
2 anos que eu já estava em Piedade, comecei a sentir falta de ar e dor
precordial, que se prolongou por 6 meses e que se agravava cada vez mais, de tal
forma que eu já nem podia caminhar, nem fazer esforço físico. Ficava ofegante
e também com um pouco de cianose. E cada vez mais eu sentia que meu estado se
agravava.
Eu
havia combinado com Jesus que eu nunca mais iria operar do coração, pois sofri
muito na primeira cirurgia. Por isso eu não queria voltar ao médico. Estava
com trauma de cirurgia. Então eu disse a Jesus que eu preferia morrer com um
segundo enfarte a ter que operar do coração novamente. Na
noite de 14 de outubro de 1998, acordei de madrugada com muita falta de ar e não
podia respirar. Levantei-me às pressas, abri a janela, fui à cozinha e peguei
um copo com água para tomar, mas a água não passou. Sentia uma pressão
dentro do peito que eu não agüentava. Voltei para o quarto e me deitei
novamente com uma dor mais forte, e senti que eu iria morrer, pois a dor só
aumentava. Sentia também um formigamento no corpo todo, como se fosse uma dormência.
A dor era muito forte. Quando
eu achei que ia morrer, chamei a Marina, que é enfermeira, e que estava
dormindo comigo no quarto, e disse a ela: “Tem remédio na gaveta, mas eu
estou morrendo!” Ela
pegou 4 comprimidos de Sustaste – que é um medicamento para cardíacos - e
colocou debaixo da minha língua. E eu disse: “Pode rezar o terço, porque eu
estou morrendo!” Depois
disso perdi a fala e minha língua se enrolou. Eu não conseguia mais falar e
sentia cada vez mais que eu estava morrendo. Eu
fiquei bem quieta em minha cama. Na medida em que foi passando o tempo, o remédio
foi me aliviando, juntamente com a oração do terço que Marina estava rezando.
Às
6:00 horas da manhã, quando ela estava terminando a oração do terço, eu já
conseguia falar. Depois
de breves preparativos, levaram-me para o hospital da cidade de Barbacena.
Chegando lá, o médico fez eletrocardiograma e os exames de sangue, comprovando
assim a pouca oxigenação do meu sangue e a reincidência de problemas nas
coronárias. Passei
8 dias no hospital em repouso, tomando medicamentos para novamente fazer um
cateterismo, e ver o que estava acontecendo com o meu coração. Depois deste
período, passei mais 20 dias de repouso absoluto na casa da Marina, em
Barbacena,
recuperando-me e aguardando para fazer o exame.
O
exame seria no hospital Socor, em Belo Horizonte. Eu desejava muito ir a
Piedade, porém, o médico me aconselhou a seguir viagem diretamente para o
hospital. Mas eu insisti e disse: “Eu vou passar em Piedade para receber a bênção
de Nossa Senhora, para eu morrer bem!”
Eu
sentia que ia morrer, pois o meu estado era muito grave. Além disso, o exame de
cateterismo é muito doloroso. No primeiro cateterismo que fiz, sofri muito, por
ser um exame complicado, principalmente para aqueles que não se encontram em
bom estado de saúde, podendo até morrer durante o exame. Por isso, eu queria
receber a bênção da Mãe Celeste, pensando realmente que iria morrer. Fomos
então a Piedade dos Gerais, eu e a Marina. Chegamos no Vale da Imaculada Conceição
à tardinha, e pretendíamos sair bem cedo no dia seguinte. Fui
quase totalmente privada de visitas, para evitar quaisquer esforços e emoções. Logo
pela manhã, recebi uma visita inesperada: a mensageira de Nossa Senhora entrou
em meu quarto e disse que a Mãe do Céu vinha me visitar e deixar uma mensagem. Éramos
três pessoas na casa durante esta aparição: Marilda, a porta voz de Nossa
Senhora; Marina, a minha amiga e enfermeira; e eu. A Marina pegou rapidamente o
gravador e gravou a mensagem.
A
partir daquele momento em que a Virgem Maria se manifestou, eu não senti mais
nada. Mais nada! Depois disso, segui o meu caminho para Belo Horizonte, onde eu
ia fazer o exame de cateterismo. Após
fazer o exame que, graças a Deus, transcorreu muito bem, foi constatado que a
ponte de safena havia colabado – fechado - e, para surpresa de todos, a minha
artéria anterior, que tinha sido operada, estava funcionando na sua capacidade
total, cem por cento. O meu coração estava igual ao coração de uma criança. Quando
eu levei para o meu médico o resultado - médico com o qual faço tratamento há
16 anos – ele me disse: “Foi um verdadeiro milagre! Porque não existe na
história da medicina que uma artéria que houvesse colabada e obstruída,
voltasse ao seu funcionamento normal! Irmã, o que a senhora fez para que isso
acontecesse?” Eu
respondi: “Eu não fiz nada, quem fez foi Nossa Senhora que pediu a Jesus a
minha cura.” Disse
o médico: “Irmã, isso não acontece. A senhora pode ir até no Papa que ele
vai dizer que não é verdade. Porque a artéria, uma vez colabada e obstruída,
jamais voltará ao seu funcionamento normal.” Para
constatar tenho todos os exames feitos. Um foi realizado antes da cirurgia e
outro posteriormente, ambos com fotos. E tenho também exames mostrando a
complicação nas coronárias, e os exames de sangue que medem a capacidade de
oxigenação do coração. Estes meus exames feitos antes de alcançar a cura
milagrosa mostram a séria complicação em que se encontrava meu coração,
porque a ponte colabou. Quanto
à mensagem tão especial e importante para a minha vida, eu nunca mais a ouvi.
Algumas pessoas da Comunidade tiveram a oportunidade de ouvi-la depois, mas
ninguém copiou a fita com a mensagem e sem saber como eu a perdi.
Vale da Imaculada Conceição, 25 de maio de 2002