Colóquios de Antônio Jota  com Frei Joaquim,  a partir de Outubro de 1987.

 

            Meu nome é Antônio Batista Jota. Mudei-me para a cidade de Piedade dos Gerais, em 1948, e vim trabalhar aqui.

Em 1950 eu me casei, e me mudei em 1955 para Belo Horizonte. De vez em quanto eu vinha a Piedade dos Gerais para rever os amigos.

Em setembro de 1987, meu filho me disse que ficou sabendo que Nossa Senhora estava aparecendo em Piedade, mas não era para espalhar a notícia, porque os moradores estavam achando que era mentira. De imediato, senti vontade de ir até lá pessoalmente para saber o que estava acontecendo, mas me demorei um pouco devido à aposentadoria que estava para sair.

Quando foi no mês seguinte, logo que surgiu uma folga eu vim. Era outubro de 1987. Sempre que chego aqui, tenho o costume de visitar a Igreja onde meu irmão, Padre Mário Jota, foi vigário por muitos anos.

Ao chegar na Igreja, o Frei Joaquim (então pároco de Piedade) estava lá rezando. Eu terminei de rezar e ele também. Quando saí ele foi me acompanhando, me chamou e disse:

- Antônio, você veio aqui por causa do que está acontecendo na casa do Antônio da Côla? (Côla é a mãe de sr.Antônio)

- Sim, Frei Joaquim, eu vim aqui por causa disto! - Respondi.

- Não tem nada lá não! - Disse-me ele.

- O senhor me garante que não tem nada? – a esta pergunta ele deu de ombros e eu respondi:

- Se o senhor não me garante, eu vou lá ver!

Ele não me proibiu e nada disse. Então eu segui o meu caminho.
 

 

Em outra ocasião, entrando na Igreja, vi o Frei Joaquim de pé diante do altar de Nossa Senhora da Piedade. Ele estava olhando para a imagem como se estivesse orando piedosamente. Então eu procurei me retirar da Igreja para não perturbá-lo na meditação; quando ele se virou para trás e acenou com a mão me chamando, e disse, com os olhos cheios de lágrimas:

-  Antônio, eu também amo Nossa Senhora!

- Eu sei, Frei Joaquim, que o senhor ama muito Nossa Senhora! O senhor é um exemplo para nós deste amor! - Respondi.

Ele me falou isto e se assentou numa poltrona de palhinha, perto do altar, onde costumava rezar o breviário todas as manhãs. E eu me retirei.

 

 

Poucos dias depois, pela manhã, Frei Joaquim estava sentado na mesma poltrona de palha. Após fazer suas orações, eu me aproximei dele e lhe mostrei frases e trechos das mensagens que transcrevo em livros - se não me engano do quarto volume. Ele leu atenciosamente e disse:

 - A menina fala isso!?

- Sim, Frei Joaquim. O senhor é que é mal informado ou não está sabendo. - A esta resposta veio outra pergunta:

- Você está fazendo isso para ganhar dinheiro?

- Não, Frei Joaquim – respondi calmamente - eu estou é gastando dinheiro.

- Você está fazendo um trabalho para a Igreja! Você tem onde guardar debaixo de chave? - perguntou-me curioso.

- Tenho sim, Frei Joaquim – ele me olhava curiosamente.

-         Se você não tiver, eu tenho cofre para guardar! O Senhor Arcebispo pode ler

isto...  E eu quero falar com a menina!

 

 

Procurei a Marilda - a vidente porta voz de Nossa Senhora - e falei com ela que o Frei Joaquim queria lhe falar.

Dias depois, a Marilda foi falar com ele. Ela esperou um pouco porque tinha receio dele, achando que o Frei Joaquim não gostava dela. Mas um belo dia a Marilda veio falar comigo, e estava muito contente:

- Sr. Antônio, o Frei Joaquim agora está gostando de mim. Ele até me chama para fazer leitura na Missa.

- É claro que ele gosta de você,  ele te aprecia muito – notei que seu rosto iluminara enquanto me ouvia.

No mesmo dia contei ao Frei Joaquim o que Marilda tinha me falado. Ele simplesmente sorriu.

 

 

Certa vez, Frei Joaquim me puxou pelo braço, fez-me assentar perto dele num dos bancos da Igreja, e me perguntou:

-  Antônio, aquela menina que diz ver Nossa Senhora está namorando?

- Está sim, Frei Joaquim. Ela já é moça, é natural que ela procure um namorado, pois ela não é freira e nem fez votos.

Pensei comigo: - Porque Frei Joaquim se preocupava com o namoro da Marilda e não se preocupava com o namoro das outras moças que estavam namorando na mesma época?

 

 

Em minhas vindas a Piedade, eu sempre ajudava na celebração da Santa Missa. Eu tocava órgão, fazia leituras e auxiliava no que fosse necessário. E minha amizade com Frei ia se fortificando.

Após uma destas celebrações, Frei Joaquim, puxando-me novamente pela mão e  assentando-me num banco da igreja, surpreendeu-me com a seguinte pergunta:

-  Antônio, você vai falar com o sr. arcebispo?

-  Não, Frei Joaquim. Eu não sei se ele quer conversar sobre isto! – respondi.

- Olha, Antônio, se o sr. arcebispo quiser um testemunho eu dou: Está havendo muitas mudanças de vida!

- Conversão, Frei Joaquim? - Notei que ele estava satisfeito.

- Conversão, não digo, mas mudanças de vida. Não posso dizer nada por que é segredo de confissão.

 

 

Devido à veracidade das aparições de Nossa Senhora em Piedade dos Gerais, eu passei a visitar com mais freqüência a cidade e a fazenda onde ocorriam as aparições, local que posteriormente veio a ser chamado de  “Vale da Imaculada Conceição.”

Tenho muitos parentes em Piedade, por isso passava longos períodos acompanhando de perto estes acontecimentos.

Só agora escrevo estes colóquios, porque eu não podia colocar o Frei Joaquim em embaraços e também não tinha a sua permissão. Ele me dizia estas coisas somente quando estávamos a sós, e quando se aproximava alguém, ele mudava de assunto.

Agora, alguns anos após a sua morte, quero dar testemunho daquilo que o Frei Joaquim testemunhou para mim sobre as aparições de Nossa Senhora em Piedade dos Gerais.

Perdoe-me, Frei Joaquim, por colocar estes colóquios. Não tive autorização do senhor para isto quando vivia, e nem agora após a sua morte. Se eu o estou ofendendo e também a Deus por isto, perdoe-me, e peça a Ele perdão por mim.

Quem ler estes escritos não é obrigado a dar crédito, pois não houve testemunha disto. Só vale aqui a minha palavra se eu merecer crédito.

 

Piedade dos Gerais, 19 de Março de 2000

 

 

Minha Missão

 

Graças a Deus, tive dois irmãos que foram sacerdotes, um deles já falecido. Em 1988 dei ao meu irmão Pe. Sinfônio Jota uma mensagem de Nossa Senhora para ouvir. Ele, usado pelo Espírito Santo, me disse que era muito linda e importante e era para eu escrever, pois assim podia se meditar melhor.

Neste momento eu me lembrei da mensagem de Nossa Senhora do dia 14 de dezembro de 1987, na casa da Íris – prima da Marilda que também via Nossa Senhora. Naquela noite, a Virgem Maria deu muitos presentes - mais conhecidos pelo povo como sinais. Ela passou a noite toda em vigília com o povo, que era em grande número, e deu missão a diversas pessoas. Em determinado momento, a Marilda disse que Deus escolheu para representante da Igreja o sr. Antônio, apontando para mim. Eu pensei assim: “Eu já estou cumprindo a missão de que ela está falando.” Eu achava que era ajudar na celebração da Santa Missa. Mas ela falava de outra missão ainda desconhecida por mim.

Com a sugestão do meu irmão - Pe. Sinfônio - de escrever as mensagens e lembrando-me das palavras do Frei Joaquim - “Você está fazendo um serviço da Igreja. Você tem onde guardar estes escritos com chave?” - compreendi a missão da qual Nossa Senhora falava: “Representante da Igreja.”

Assim, depois de 12 anos, são 18 pastas com mensagens datilografadas por mim, as quais, nesta data de hoje - 27 de março de 2002 - passo aos cuidados da Comunidade do Vale da Imaculada Conceição, para futuros estudos e conhecimentos, como um grande tesouro que consegui ajuntar e deixar de herança aos que me sucedem.

 

 

Eis alguns relatos do que vi e senti nas minhas primeiras visitas ao Vale da Imaculada Conceição, os quais dou testemunho através destes humildes poemas:

 

                       

Abra-me a janela

 

            Desde aquela tarde fresca,
            Sob um céu limpo, no mês de outubro,
            No meio do povo, junto da árvore seca,
            Com as meninas, oh, Senhora, eu descubro
 

            Parecendo-me ver, em minha mente,
            Minha Mãe do Céu vestida de branco,
            Conversando com as meninas ali presentes,
            Cujas mensagens punham meu coração em pranto!
 

            Ali por muitos dias permaneci.
            As mensagens em minha alma, remoendo...
            Que palavras belas de meu Deus percebi
            E lá dentro de mim, fui compreendendo!
        

            Muitas vezes o sol, grande astro
            Girando pelo Céu, expandiu-se em cores,
            Parecia que Deus mostrava seu rastro,
            Indicando que nossa Mãe veio tirar nossas dores!
           

            Tudo pus na balança do meu entendimento
            Lá no meu íntimo, meditava
            Minha Mãe querida, no meu pensamento
            Quanto sua presença me alegrava!
           

            Mãe! Das crianças sou a última:
            Sem talento, má, rude, tudo nela vazio!
            Por piedade, tira de mim a dúvida
            Pois te amo muito, e abra-me a janela.
          

Mostra-me tudo, com claridade
            Ando com os pés no chão, quero certeza
            Que a tua presença é pura verdade
            Se não, a minha alegria vai tornar-se tristeza!
           

            Mãe, estas palavras que vês de mim saírem
            São desejos meus. Que tu aí estejas!
            Não precisam meus olhos te verem!
            Quero sentir-te, como no Sacrário sinto Jesus na Igreja!


Piedade dos Gerais
Fevereiro de 1988

 

 Coração Imaculado

 

No  teu  Coração Imaculado
            Perdoa-me, minha Mãe do Céu,
            Por estas palavras de teu filho:
            A tua presença está para mim sob um véu,
            E me escondes a verdade de teu brilho.

            Tenho um coração indigno e manchado!
            Mas, coloco-o no teu Coração.
            Deixa que ele aí fique!
            No teu Coração quente, bom e Imaculado
            Que pela tua Luz e teu amor, ele se purifique...

           
Meu coração, ao teu Coração Imaculado entrego,
            Podes fazer dele o que lhe aprouver
            Pois os teus desejos, Deus é Quem os rege.
            Assim sendo, fazes o que Ele quer!

            Se mereço, humildemente tua Luz espero!
            Seja em qualquer tempo, ano, dia ou hora
            Com a tua força, fazer a vontade de Deus eu quero
            Não me importa se em um ano, hoje, amanhã ou agora!

            Sei que Deus aos homens muito ama!
            Dá-me tua mão e a Ele me conduza!
            Pois desejo que por Ele, meu coração se inflame
            E, consumido pelo fogo do amor, bons frutos produza!


Piedade dos Gerais
Março de 1988