Nossa
Senhora sempre se manifesta em momentos de oração, seja durante o louvor,
durante a oração do terço ou durante uma Santa Missa. O exato momento só o Céu
conhece.
A
Marilda, a porta-voz, sempre chega no local da mensagem tranqüila, sorridente,
despreocupada com o que vai falar ou como será. Ela atende a todos com muito
carinho em suas perguntas, curiosidades e necessidades.
No
momento em que Nossa Senhora vai se manifestar, a Marilda se ajoelha, seus olhos
se fixam num mesmo lugar e ela entra em êxtase. Tudo acontece naturalmente, sem
pressa e espontaneamente ela começa a narrar como se dá a manifestação.
Marilda
assim diz:
-
“Agora está um pouquinho brilhante, lá vai ficando mais forte, fortíssimo,
a sombra de Nossa Senhora, lá vai ficando mais forte, fortíssimo e
apareceu!”
A
primeira coisa que ela vê – segundo ela -
é uma luz muito forte tomar conta de todo local. Depois um brilho que
vai aumentando e deste brilho surge a sombra de Nossa Senhora.
Marilda
disse que esta sombra não é igual à sombra humana, é como se estivesse vendo
uma pessoa bem distante – transparente – que vai se tornando tão bela e
cheia de luz. Quando ela a vê por completo, nota-se uma luz muito forte por
detrás dela. E o seu brilho é três vezes mais forte que o sol.
Conta-nos
Marilda que, certa vez, por volta de duas horas da tarde, Maria Santíssima lhe
apareceu na frente do sol, e que seu brilho tampou a claridade dele.
Marilda
completa que, mesmo este brilho sendo mais forte do que o sol, ele não incomoda
os olhos, e não atrapalha a visão dos belos e perfeitos traços da Rainha e
Senhora do Céu e da Terra. E assim nos descreve a Marilda os traços de como
Nossa Senhora aparece aqui: segundo Marilda, a Imaculada Conceição tem a pele
morena clara, olhos e cabelos castanhos, lábios rosados, aparenta ter 18 anos
de idade, com mais ou menos 1,70 m de altura. Vem sempre com véu branco sobre
os longos cabelos cacheados, que chegam até a cintura. Traz um manto branco nos
ombros. Seu vestido é longo até os pés de uma brancura inigualável a
qualquer branco existente na Terra, parece uma cachoeira em que corre uma água
cristalina, mas que não cai ao chão, uma água sempre nova. O vestido também
aparenta estar bailando no corpo da Virgem.
Nas
dulcíssimas mãos, Maria tem um lindo terço dourado que irradia um brilho
dourado e prateado. Seus pés, sempre descalços, tocam uma nuvem
semi-transparente que fica por cima de uma grande bola azul.
Seu
semblante é variável, às vezes triste, às vezes sereno, às vezes alegre,
mas nunca zangado. Seus olhos especialmente têm um brilho diferente e às vezes
ficam cheios de lágrimas, que transbordam sobre seu rosto delicado escorrendo
suavemente.
Sua
voz angelical chega aos ouvidos de Marilda docilmente, chegando ao coração e,
sem saber como, Marilda vai repetindo palavra por palavra do que Maria lhe diz.
Seu tom de voz é macio e suave, mas quando necessário se torna um pouco mais
grave.
Maria
Santíssima explicou que na mesma hora que Deus lhe fala, ela transmite à
Marilda que repete ao povo, instantaneamente. É verdadeiramente um mistério
Divino. Maria ouve a voz de Deus, Marilda ouve a voz de Maria, e o povo ouve a
voz da Marilda, no mesmo instante.
Às
vezes quem dirige a mensagem é Deus Pai, outras vezes Jesus, ou o Divino Espírito
Santo; a Virgem Maria é o canal e a Marilda, o instrumento.
No
momento da aparição, Marilda não vê nada mais, a não ser Nossa Senhora, em
todas as direções. Inclusive os gestos que Nossa Senhora faz, Marilda os
repete. No momento em que Maria chega, ela vem com as mãos no coração e no
desenrolar da mensagem seus gestos delicados são bem variados.
Marilda
também não ouve mais a voz do povo e nem qualquer outro barulho à sua volta.
No momento em que Nossa Senhora está nos abençoando, o povo canta o refrão
“Dai-nos a bênção, Mãe de bondade, Nossa Senhora de Piedade!” duas vezes
e a Marilda dialoga com Nossa Senhora, fazendo-lhe as perguntas ou os pedidos
das pessoas, sem nada ouvir do canto.
Até
um tempo atrás víamos perfeitamente a Marilda movendo os lábios e conversando
com a Mãe. Não ouvíamos a sua voz, mas, percebíamos algumas palavras. Este
momento era divinamente especial, era como se estivéssemos vendo duas pessoas
conversando e expressando com sorriso, movimentos com a cabeça - parecia algo
irreal.
Ao
término da bênção Marilda respira profundamente agradecida e recomeça a
repetir o que Maria diz ao povo. Somente depois que se encerra a mensagem,
Marilda dá as devidas respostas a cada um.
Normalmente
depois da bênção, Nossa Senhora faz um pequeno resumo da mensagem. Faz alguns
agradecimentos e às vezes parabeniza algum aniversariante. Neste momento em que
ouvimos a Rainha falar o nosso nome, chegamos a estremecer de alegria, um calor
percorre o corpo, o rosto fica todo rosado de contente, com os olhos fechados,
sentindo que Maria e o Céu estão nos olhando de tão perto e nos colocando no
seu coração; a alma parece querer voar para o além...
Em
outros momentos também em que a Imaculada Conceição abençoa algum doente e
às vezes fala o seu nome, é o mesmo momento em que ele alcança curas e sente
a presença riquíssima do Céu em sua vida, mesmo que ele se encontre distante
do Vale, mesmo que estejam em outras nações - como testemunhos recebidos de
tantos irmãos de fé que caminham unidos conosco.
Ao
se despedir, Maria não deixa de agradecer pelas flores que lhe foram oferecidas
– estas flores são entregues à Marilda ou colocadas no humilde altar – e
oferece o seu Imaculado Coração. Isto é outro mistério que um dia
compreenderemos. Maria deixa conosco o seu Coração e leva os corações de
todos junto consigo.
Ao
dizer: “Agora eu vou, o Senhor me chama, e eis aqui a Serva do Senhor!” É
uma intimidade tão grande entre mãe e filhos, que chega a ser quase inexplicável
com palavras.
Depois
Marilda diz: “Ela lá vai sumindo... bênção, mãezinha! Sumiu!”
Marilda
disse que ela sumiu e não que ela foi embora porque Nossa Senhora e a Santíssima
Trindade, em verdade, fazem morada em nossa pobre e humilde capela. Nossa
Senhora nos disse que no momento em que ela vem nos trazer o Recado de Deus, a
Mensagem de Deus, o Céu inteiro se faz presente e que os anjos e santos se
colocam de joelhos para ouvi-la.
Marilda
naturalmente volta a si como que se despertasse de um lindo sonho. Seus olhos -
depois disso - perdem um pouco do brilho que tinham enquanto via a Virgem Maria
e juntamente conosco reflete no coração as palavras deixadas pela Mãezinha
enquanto rezamos a Salve Rainha.
Então,
humildemente Marilda se junta ao povo, sem orgulho e sem se sentir melhor que os
outros. Delicada e brincalhona, vai passado de um por um, com um aperto de mãos
e cercada pelas crianças não deixa de beijar a cada uma até chegar à porta,
onde normalmente se retira para levar as respostas da Virgem Maria aos que a
esperam ansiosos na saída ou no telefone.
Então
a Comunidade Fraterna reunida reza o Santo Terço.
O êxtase
Antes
da Marilda ser escolhida como porta-voz de Nossa Senhora, vieram ao Vale muitos
estudiosos - psicólogos, parapsicólogos, pesquisadores, sacerdotes -
investigar a veracidade dos fatos, especialmente o momento do êxtase das crianças,
chegando a espetá-las com agulhas, vedar-lhes os olhos, beliscar, etc.
Segundo
as crianças - que nada respondiam no momento destas provas – depois elas
sentiam na pele os maus tratos. O que ficou constatado pelos pesquisadores é
que no momento em que as crianças estavam em êxtase, elas estavam em outro
mundo, nada sentiam, e nada podia atrapalhar a visão e nem a mensagem. Assim
ocorre até hoje com a Marilda.
Na
verdade, é um momento divino!
A distância
Marilda
disse que vê Nossa Senhora a uma distância de mais ou menos 3 metros e a uma
altura de 1,5 m do chão, e também que normalmente, ela fica mais ou menos no
meio da capela e quando é no local das aparições ela fica a uma distância um
pouco maior do chão. Durante todo o tempo da mensagem ela fica olhando para as
pessoas que estão presentes.
O brilho
Atualmente
Marilda não vê os raios e nem os muitos anjos que rodeiam a Imaculada Conceição.
Ela nos contou que, certa vez, Maria apareceu a ela e aos outros videntes de uma
vez – sem vir primeiro o brilho, a sombra – e foi tão forte que eles quase
caíram no chão.
Desde
então Nossa Senhora se manifesta aos poucos, da forma como foi narrada.
No
começo os seus olhos e os das demais videntes estavam sempre úmidos ou em lágrimas
por causa da grande luz que cerca Nossa Senhora. Mas essa claridade nunca
afetou-lhes a vista e depois de um tempo se acostumaram.
Os Anjos
Quanto
aos anjos, por vários anos consecutivos crianças da comunidade ou crianças
visitantes tiveram a graça de vê-los. Nossa Senhora disse que por um tempo
Deus permitiria às crianças ver o anjo que a acompanhava nesta missão. Certa
vez sete crianças viram o anjo no mesmo instante. Algumas crianças tinham a
graça de ver os anjos por um período, que podia durar alguns meses, e podiam
chegar a um êxtase parcial e a conversar com os anjos.
A
voz de Nossa Senhora
Para
ouvir a voz da Virgem Maria, Deus preparou as videntes por três meses –
exceto a Juliana, que a ouvia desde a segunda aparição. Assim as mensagens,
durante este tempo de preparação, eram escritas no ar com uma varinha prateada
que Nossa Senhora trazia em uma das mãos. Marilda e Íris, apontando com o
dedo, iam lendo as palavras escritas no ar e juntas falavam, sem uma passar na
frente da outra.
As
vestes
Nossa
Senhora, em dias normais, sempre vem vestida como foi descrito acima. Raramente,
como no Natal, ela vem com um manto azul e uma coroa na cabeça. Em uma de suas
visitas a Portugual, Marilda a viu vestida como Nossa Senhora de Fátima,
coroada de estrelas, com um cordão no pescoço onde pendia uma pequena bola e
uma estrela na barra do seu vestido.
“Alegrei-me
muito ao vê-la parecida com o povo daquela nação e vestida como Mãe de Fátima.”
- relembra Marilda.
No
dia 08 de dezembro de 2002, festividade da Imaculada Conceição – dia em que
foi colocada no local das aparições a imagem do Sagrado Coração de Maria –
a Marilda relatou que Nossa Senhora apareceu muito semelhante à imagem. Trazia
um coração cercado de espinhos, tinha nas mãos um rosário, na cabeça uma
coroa muito brilhante, onde seus lindos cabelos balançavam com o toque do vento
e, às vezes, uma mecha cacheada lhe caía na frente do ombro, realçando ainda
mais sua beleza.
As perguntas
Segundo
Marilda, o mesmo amor que Nossa Senhora tem em responder-lhe uma pergunta
pessoal, Nossa Senhora tem em responder a uma curiosidade de quem quer que seja.
E Marilda pergunta a Nossa Senhora, mesmo que a pergunta seja para ela sem
sentido.
A
bênção
Marilda
conta também que, no momento da bênção, das mãos de Nossa Senhora saem
muitos e muitos raios de luz, que vão penetrando nas pessoas e objetos mais próximos
e vão se estendendo pelo mundo afora.
A
correção
Conta-nos
Marilda que certa vez pode sentir a gravidade da situação no tom de voz de
Nossa Senhora, ao fazer uma correção na Comunidade. Naquele dia Nossa Senhora
nos disse que era Jesus que estava corrigindo a Comunidade, para que ela
crescesse mais e que seus frutos fossem prósperos. Ao término da mensagem a
Marilda se dirigiu apresada para sua casa, porque se sentiu aflita. E
silenciosamente meditava, pois nunca tinha visto Nossa Senhora como naquele dia.
As
homenagens
Quando
é feita alguma homenagem a Nossa Senhora na sua chegada, a Marilda permanece em
silêncio até o término da homenagem. Marilda nada ouve da homenagem,
aproveita para admirar Maria e pedir-lhe conselhos. Conforme a homenagem, vemos
a expressão de Maria no rosto da Marilda, às vezes sorrindo, quando as crianças
erram ou esquecem o que têm que dizer, ou por estar feliz, às vezes séria ou
até chorando – quando se emociona.
A
fé da porta-voz
Certa
vez perguntaram a Marilda se ela não tinha vontade de tocar em Nossa Senhora.
Ela
respondeu que a Virgem Maria é tão real e perfeita que seria talvez uma dúvida
de sua parte querer tocar para acreditar. Respondeu também que muito mais que
ver e tocar é sentir e viver o que Maria nos pede.
A
presença real
Nossa
Senhora está sempre conosco no Vale da Paz, mesmo fora do momento das aparições.
Muitas vezes, na mensagem, ela faz um apanhado tudo o que se passou durante o
dia, ou dá algum toque de forma que compreendamos a sua presença a todo
instante.
Uma
vez, querendo fazer-lhe uma surpresa, pedimos a Deus que não permitisse que ela
soubesse que estávamos fazendo um bolo para comemorar o seu aniversário natalício.
E Deus assim o permitiu. Quando ela chegou e viu tudo preparado, relatou-nos que
Deus não a deixara ver os preparativos da festa que íamos comemorar.
Assim,
é tão real a presença de Maria em nossas vidas que parece que vivemos com um
pé na Terra e outro no Céu. Vivendo como uma grande família, onde temos a
certeza de um Pai poderoso, uma Mãe bondosa, um Irmão Misericordioso e de um
Santo Espírito que nos faz esquecer de nossa pequenez e enxergar que também
somos santos. Mesmo sendo cada um de um lugar – inclusive outros países -
cada qual com seus defeitos e qualidades, somos uma família fraterna dirigida
pela Santíssima Trindade, por meio de Maria. Não nos consideramos melhores que
ninguém por fazermos parte do Grupo da Fraternidade. Somos pecadores e
errantes, mas, também somos caminhantes que querem acertar.
Somos
felizes, e de maneira nenhuma seremos os primeiros - como disse nossa Senhora -
seremos os últimos porque, com a Graça de Deus, ajudaremos aos demais a
chegarem em primeiro lugar.
Vale
da Imaculada Conceição
Setembro de
2003