A HISTÓRIA DO CANECO
Deus
quis provar se a família escolhida para receber a Rainha do Céu estava apta
para a grandiosa graça, e enviou uma visita inesperada...
Estando
o Sr. Antônio e o seu filho Geraldo a capinar a fazenda, avistaram uma
mulher, sentada perto da fonte de água. Aproximaram-se dela até uma certa
distância, e começaram a conversar...
Ela
disse que vinha da Bahia e que estava fazendo uma caminhada a pé, para a
Cidade de Aparecida, ao Norte de São Paulo. E que não seguiria viagem, sem
conhecer Piedade dos Gerais. Relatou ser mãe de dois filhos, um grande e
outro pequeno.
Ao
ser repreendida por não conseguir chegar ao seu destino, devido à longa distância,
ela deu a seguinte resposta: “Vou meu filho, porque confio em Deus, e com
Deus a gente vai longe! Eu ando devagar, mas não me canso. Nossa Senhora
Aparecida é muito milagrosa, e eu quero alcançar a graça de curar a minha
vista. Meu filho, a coisa mais triste é a gente não enxergar a luz do
dia.”
Segundo
ela, seu Marido, o Mírio, estava limpando um lote na casa do Padre. Seu modo
de falar era muito diferente, assim como as palavras: pareciam ter outro
sentido.
Ela
procurava por água corrente, para lavar suas vasilhas, disse ela: “A
pobreza Deus ama, mas a sujeira Deus detesta.”
Ela
encontrou a água como queria, mas segundo ela, mais importante do que lavar
as suas vasilhas era aquele acontecimento, aquele encontro, e aquela acolhida
da família.
A
seguir, ela caminhou em direção à fonte, e tomou daquela água. Seu
caminhar era sereno e delicado. Não se podia notar o mover de seus passos.
Ela
pediu ao Sr. Antônio uma vasilha, para que pudesse levar e continuar tomando
daquela água. Então o Sr. Antônio trouxe água, biscoitos e um caneco com
café e leite.
Ela
agradeceu: “Como você é caridoso e sabe partilhar o que tem!”
Enquanto
tomava o café com leite, ela fez algumas revelações a respeito da descendência
do Sr. Antônio e da sua família.
Ao
se despedir, agradeceu a todos, pegando na mão de cada um, e disse: “Eu
agradeço muito este tempo que vocês estiveram aqui comigo, foi de uma importância
muito grande, fui muito bem recebida! Eu não vou me esquecer de vocês, e
quero que vocês não se esqueçam de mim.”
Pensando
o Sr. Antônio em se tratar de uma leprosa, resolveu inutilizar o caneco. E na
cidade confirmou com várias pessoas a passagem da desconhecida. Todos
confirmaram ser ela uma índia leprosa. Mas as suas vestes eram diferentes em
cada lugar por onde havia passado. Porém, com a mesma serenidade, por eles
nunca vista. Ela pegou na mão de algumas pessoas e disse a elas que estavam
abençoadas.
Na
casa paroquial, também foi confirmada a passagem da andarilha. Só que lá
ela não tinha nenhuma bagagem, por isso ganhou um par de chinelas.
E
o nome que foi dado pelas crianças à andarilha:
é “MÍRIA”, a mulher do Mírio!
Algum
tempo depois, Deus enviou Nossa Senhora a essa mesma família: humilde,
simples e acolhedora. Família capaz de acolher sem distinção a todos os que
procuram, como a Míria, “água corrente.”
Em
uma aparição, Sr. Antônio pediu à vidente, que perguntasse à Nossa
Senhora pela pobre Míria. Nossa Senhora deu a seguinte resposta: “Aquela
pobre que esteve aqui, esteve a mandado de Deus. Se ela não tivesse sido
acolhida, aqui ela ia morrer. Mas como o pai destas crianças foi acolhedor,
ela pôde sobreviver e seguir a caminhada até Crucilândia, onde morreu. Então
o anjo Gabriel disse para Deus: “Na entrada de
Crucilândia tem uma pobre morta”. Deus disse: “Traga-a para o Céu.”
Hoje ela está no Céu, e é a Santa Rosa Míria. Dê um recado a seu pai:
Aquele caneco, onde aquela pobre tomou café com leite e ele não usa, diz a
ele que pode usar porque não faz mal nenhum.”
Uma
parábola acompanha suas explicações, porém não estão contidas neste
pequeno resumo. Abra seu coração que o bom Deus lhe mostrará.
O
caneco ainda hoje existe, embora um pouco amassado, gasto pelo tempo e pelas
pessoas que pedem para tomar água no mesmo caneco que a pobre Míria tomou.