Frei
Joaquim Van Kesteren, OFM
Nascido aos 31 de outubro de 1905, na cidade de
Sassenheim, na Holanda, recebeu o nome de Leonardo. Seus pais eram Jacobus Van
Kestern e Clara Maria Clemens. Recebeu o Santo Batismo no mesmo dia do seu
nascimento e foi crismado em 1917.
Começou sua vida franciscana no dia 07 de setembro
de 1927, em Hoogcruts, e fez a sua
Profissão Solene no dia 08 de setembro de 1931, em Alverna. Seus estudos
preparatórios foram realizados no Colégio São Francisco Solano, em Sittar. A
filosofia e o primeiro ano de teologia foram cursados em Tenrai, na Holanda.
Chegou ao Brasil no dia 19 de outubro de 1931, onde
ele terminou os seus estudos de teologia - em Divinópolis, MG - sendo ordenado
no dia 29 de outubro de 1933, por
Dom Antônio dos Santos Cabral, na Matriz do Divino Espírito Santo.
Logo depois começou a sua caminhada por Minas Gerais
e Rio de Janeiro. Foi Vigário
Paroquial em Corinto e Salinas até 1939. Em 1940 foi pároco em Itaipé. De
1940 a 1945 foi pároco em Governador Valadares, de 1945 a 1947 em Pirapora e
depois em Jequitinhonha.
De 1952 a 1968 trabalhou mais diretamente pela Província
Franciscana, sendo Comissário da Terra Santa e ficou marcado na história da
Província como recrutador de candidatos para o seminário e angariador de
recursos para o mesmo, em Santos Dumont.
Vários confrades consideram-se seus filhos pelo
cuidado e pelo amor dispensados à sua formação.
Identificou-se tanto com o povo Brasileiro que se
naturalizou aos 21 de fevereiro de 1962.
Ele se preocupou muito com um bom ensino, fundando
dois colégios no interior de Minas com a ajuda das irmãs Clarissas
Franciscanas de Caiçara. O Colégio de Governador Valadares está em pleno
funcionamento; em Salinas ainda resta um belo prédio, onde funciona o Colégio
Estadual.
No dia 24 de julho de 1967 tornou-se pároco de
Piedade dos Gerais, onde trabalhou com muito sacrifício e amor, sendo até
vereador do pequeno vilarejo. Foi um grande trabalhador
considerado por muitos como bravo, mas também como alguém que tinha
muito amor pelo Reino de Deus. Assim,
dedicou 26 de sua vida em Piedade dos Gerais e não largou em nenhum momento,
nem para passar merecidas férias na Holanda, como tinha direito. E não era por
falta de familiares, porque ele era de uma família muito grande e religiosa: três
irmãs religiosas e dois irmãos sacerdotes.
Por causa de sua idade avançada e pouca saúde,
deixou Piedade dos Gerais em julho de 1994 com muito pesar, e morou até o final
de sua vida no Convento São Francisco, no Carlos Prates - Belo Horizonte.
Com 90 anos de idade, 68 de vida religiosa e 62 anos
de vida sacerdotal, Frei Joaquim nos deixou no dia 29 de fevereiro de 1996. Era
muito amado pelo povo. Isto foi comprovado no dia do seu enterro, quando uma
grande comitiva estava presente para acompanhá-lo para Areias - MG, onde foi
sepultado. Dom Serafim Fernandes de Araújo se fez presente, mostrando seu apreço
e atenção .
Também em sua missa de sétimo dia no Santuário
Sagrada Família em Piedade dos Gerais, a igreja estava superlotada pelos
paroquianos da cidade e do interior. Dez sacerdotes concelebraram aquela Missa,
entre os quais o seu sucessor, Pe. Jésus José Maria, o Pe. Lucimar Geraldo
Martins Dias - que atua em São Paulo - e mais seis confrades.
Este tão estimado
sacerdote foi quem deu ao sr. Antônio as primeiras orientações
relativas às aparições de Nossa Senhora na antiga Fazenda Barro Vermelho.
Ele disse: “Reze e deixe que as
coisas aconteçam naturalmente. Não conte para ninguém e procure observar se a
tal mulher traz consigo um véu, porque o véu é o símbolo da virgindade de
Nossa Senhora.”
Seguindo
estas e outras orientações, aos poucos este sacerdote foi se tornando um
grande pai espiritual para a comunidade que foi formada por Nossa Senhora.
Assim, atendia com muito amor as pessoas - e não eram poucas - que lhe
procuravam para fazer a confissão, principalmente os peregrinos. Nas manhãs de
domingo ou de algum feriado em que houvesse peregrinos, ele celebrava a Santa
Missa pedindo a Nossa Senhora proteção para todos antes de viajarem. Gostava
muito das crianças e sempre distribuía medalhinhas para todas.
Frei
Joaquim fizera poucas visitas ao Vale, mas em todas mostrava um profundo apreço
pelo local. Ele afirmava não ter permissão para celebrar ali a Santa Missa.
Foi ele mesmo que nos orientou sobre como deveriam ficar as imagens na pequena
capela do Vale, e ao conhecer a outra, resmungou por ser ela maior do que a
Matriz de Nossa Senhora da Piedade. Mas com um ar autoritário, ficou satisfeito
com a humildade e a simplicidade de ambas.
Era
um santo sacerdote, e a todos exortava quanto à moral cristã e aos bons
costumes. Quanto às aparições de Nossa Senhora no Vale, ele simplesmente
sorria e nada dizia.
Deixou
grandes ensinamentos e muitas saudades nos corações piedadenses e também nos
muitos peregrinos que a ele devotaram grande respeito e amizade.
Para o Grupo da Fraternidade ele é e sempre será um
grande pai espiritual.