A
interlocutora escolhida por Maria em Piedade dos Gerais foi uma moça morena
chamada Marilda Santana, filha de lavradores pobres. Marilda tem hoje 20 anos.
Trabalha numa lojinha de artigos
religiosos, está noiva e faz planos de se casar até o final do ano. E, duas
vezes por dia, conversa com a Mãe de Jesus.
“Tudo
começou em setembro de 1987, quando eu tinha 12 anos”, conta Marilda. Certo
dia, ela foi brincar com as primas Íris e Fabiana (de 11 e 6 anos,
respectivamente) no morro que fica atrás da casa dos seus avós. De repente,
começou a escurecer e uma forte ventania começou a levantar as folhas do chão.
As três meninas decidiram voltar – e perceberam que uma nuvem escura as
acompanhava, pairando sob suas cabeças. “Aos poucos, a nuvem foi ficando
menos escura, de um tom azulado”, lembra Marilda. “E então, exatamente
acima de onde a gente estava, surgiram da nuvem os pés descalços de uma
mulher, apoiados sobre um floco branco que parecia algodão.”
Assustadas,
as meninas correram para casa. Mas o medo não as impediu de voltar na semana
seguinte, desta vez acompanhadas por Juliana, de 8 anos, irmã de Marilda.
Quando o céu escureceu e o vento passou a soprar, as quatro crianças se deram
as mãos e começaram a rezar.
“E então surgiu a imagem de uma mulher, de corpo inteiro e com uma criança no colo”, conta Marilda com entusiasmo. “Ela era linda demais. Usava um vestido longo branco e um véu transparente sobre os cabelos compridos e castanhos. Os olhos também eram castanhos. Trazia flores, rosas brancas e vermelhas, com as quais nos abençoou.” Marilda acrescenta que a imagem primeiro declarou que era a Mãe delas e depois escreveu no ar, em letras brilhantes, Sou a Imaculada Conceição. Em seguida mostrou-lhes a criança que trazia nos braços, pediu-lhes que rezassem e, antes de se elevar ao céu e desaparecer, prometeu voltar no sábado seguinte. A notícia se espalhou e no dia combinado centenas de pessoas de Piedade dos Gerais e das cidades vizinhas aguardavam junto às crianças. Todas elas ouviram a mensagem de Maria, transmitida pelas meninas, seu pedido para que fosse chamada de “Nossa Senhora da Piedade”. Todas elas viram, durante cerca de 15 minutos, os movimentos e as cores do sol.
Reportagem
da Revista Destino – Ano VII – No 118 – Junho de 1996